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O professor, um nó entre os muitos que formam a rede

October 31, 2011
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Escolhi desta vez para título e mote do trabalho uma frase de G. Siemens (2010). Siemens deixa cair esta ideia, muito conectivista, que funciona como um clássico tirar de tapete, deixando no limbo toda uma profissão. Não satisfeito, acrescenta ainda que os aprendentes tendem a ser selectivos àcerca dos nós que seguem e escutam.
Temos, pois, uma escola virada de pernas para o ar. Ou será isso uma mera impressão? As duas referências básicas fornecidas são claramente antagónicas, sendo a de Anderson (2008) claramente muito mais formal e aderente às regras tradicionais do ensino a distância (EaD). Quando se compara com o texto de Siemens (2010), Anderson (2008) é académico e prescritivo, não suscitando uma aderência fácil às ideias expostas por parte do leitor.
Como fazer a ponte? Porque ponte é a palavra chave aqui. De facto, ambos os autores falam da mesma coisa. Ambas as aproximações abraçam valores importantes, que devem ser reflectidos. A de Siemens valoriza a flexibilidade dos meios, a intuição, atrevo-me a dizer, o instinto. É muito mais emoção que razão. Anderson, por seu lado, valoriza neste texto a tradição que trouxe a EaD até aqui, as teorias que a informam, as regras que permitem segurança na acção. Muita razão, menos emoção.
As intervenções de A. Couros e de R. Palloff e K. Pratt, ambas de 2010, são importantes aqui para uma visão balanceada, que não tende para extremos. Paloff e Pratt são mais prescritivos, mas respeitam a intuição do agente, o (futuro) professor. Uma das observações que fazem na sua entrevista, que me tocou particularmente, relaciona-se precisamente com a percepção do que é necessário para terminar um curso “online”. A experiência concreta do futuro professor como sujeito dessa forma de educação é uma mais valia importante, uma forma prática de referir que a reflexão sobre as vivências pessoais alimenta a acção (futura) no papel do outro e torna mais próxima, mais vivencial, a actividade de ensinar em si neste contexto.
Couros, por seu lado, joga na intuição e na constante aprendizagem e desafio que representam os meios de conhecimento que nos rodeiam. Provavelmente, um termo mais correcto seria meios de conhecimento em que estamos imersos, tal a abundância, e que se transformam num problema caso não encontremos um caminho próprio para sair do labirinto. Couros propõe a alavancagem dessas novas possibilidades, sem medo, como instrumento de trabalho para a criação de uma cultura de partilha. Como consequência, advoga a transformação dessa abundância de conhecimentos asfixiante numa celebração da participação colectiva na construção do conhecimento: essa transformação é um processo que nos muda por dentro, que nos abre às possibilidades de produzirmos contribuições próprias e unicamente nossas para o bolo comum.
Como ver neste contexto a contribuição de Anderson (2008)? Anderson intui que o mero conhecimento teórico acumulado por muitos e sistematizado em teorias de várias escolas não é suficiente, em si como solução para as duas qualidade que advoga para um e-professor (sua designação). Uma dessas qualidades passa pelo papel de motivador de aprendizagem, que considera essencial para o sucesso na tarefa. A outra, tem a ver com a eficácia que o e-professor deve revelar na sua tarefa, baseada, nas suas palavras, na resiliência, inovação e perseverança de um pioneiro desbravando novos caminhos.
Será isto assim tão diferente, no seu objectivo, do que propõe Siemens? Lembro aqui uma passagem do texto deste último autor, quando retrata o professor/guia como um curador: este reconhece a autonomia dos aprendentes, mas compreende a frustração de explorar territórios desconhecidos sem um mapa. Um mapa é um artefacto construido, que implica recolha de dados, reflexão sobre os mesmos e produção do dito. O que separa, de facto, Siemens de Anderson, atrevo-me a sugerir, é a escala de tempo da mudança. Anderson é mais adepto de reflectir no final de uma experiência de aprendizagem para adaptar e melhorar a seguinte. Siemens é mais imediatista: sem programa, a estrutura do curso emerge à medida que o mesmo se desenrola. Qual dos dois está certo? Nenhum deles e os dois ao mesmo tempo. A verdade é que a “receita” de aprendizagem no reino da web 2.0 implica diversidade de opiniões como estímulo para manter a agilidade mental em forma para discernir caminhos a seguir no labirinto de conhecimentos que nos está sempre presente (Cobo Romaní e Pardo Kuklinski, 2007).
Ser um professor de e-Learning é aceitar viver permanentemente em estado “Beta”, fazer hoje menos bem para que amanhã a eficácia aumente, fazendo, ao mesmo tempo, com que os estudantes participem dessa aventura e sintam o entusiasmo da participação num ambiente controlado, mas não limitador, que é o reino da aprendizagem constante. Esse reino não exclui ninguém, mas necessita da escolha pessoal de todos os participantes, professores e alunos, e da aceitação das regras do jogo que, de facto, são muito simples: aceitar modelar o conhecimento implica aceitar ser modelado por ele.

Referências:

Anderson, Terry (2008). Teaching in an Online Learning Context. In: Anderson, Terry (Ed.), Theory and Practice of Online Learning. Athabasca University, AU Press (2ª Edição). (pp. 343-365)

Cobo Romaní, Cristóbal e Pardo Kuklinski, Hugo. 2007. Planeta Web 2.0. Inteligencia colectiva o medios fast food. Grup de Recerca d’Interaccions Digitals, Universitat de Vic. Flacso México. Barcelona / México DF. (disponível em http://www.planetaweb2.net/; consultado em 20/10/2011)

Couros, Alec (2010). Teaching & Learning in a Networked World. “Keynote” da conferência Quest 2010 [Video e Slides]. Open Thinking. (disponível em http://educationaltechnology.ca/couros/1890; consultado em 8/10/2011)

Paloff, Rena e Pratt, Keith (2010). The Excellent Online Instructor [“Podcast” de entrevista]. Online Teaching and Learning. (disponível em http://www.onlineteachingandlearning.com/podcast-palloff-pratt/; consultado em 31/10/2011)

Siemens, George (2010). Teaching in Social and Technological Networks. Connectivism. (disponível em http://www.connectivism.ca/?p=220; consultado em 31/10/2011)

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